Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mãos Cheias de Nada

Retalhos dos meus dias tristes...

Mãos Cheias de Nada

Retalhos dos meus dias tristes...

06.Jun.16

Desabafos...

Não era este o meu desígnio…nunca seria uma mulher de avental, rodeada de tachos e panelas, e um bando de crianças à minha volta. Se em tempos o escondi, talvez pelo medo de ser rotulada de ave rara, hoje assumo-o como parte do que sou, sem grandes hesitações. O tempo não me trouxe a necessidade de ser mãe. E de relógios tenho uma casa cheia, porque os adoro, mas nenhum é biológico. É-me intrínseco. Cada vez mais tenho a necessidade de não camuflar sentimentos nem florear palavras, o que infelizmente por vezes magoa os outros. Ainda não me atrevo a dizer claramente “Não quero ser mãe”, também porque não tenho essa certeza…Mas não quero engravidar e passar todo o processo de biberons e fraldas. Mas ainda hoje estas palavras são difíceis talvez até pela pressão social que ainda existe, talvez porque à minha volta todos têm filhos…A verdade é que o não ser mãe ainda hoje está envolto num véu negro de egoísmo, individualismo, associado a mulheres amargas, tristes e frustradas…afinal de contas somos bombardeadas uma vida inteira com chavões da mulher e a maternidade…como se uma mulher só pudesse sentir-se realizada quando abre as pernas para parir! Para além de que até então não se sabe o que é o verdadeiro amor! Caramba! O que é isto?! Parece defeito de fabrico…Nunca terei eu amado ninguém verdadeiramente?! Por amor à santa…Que me digam que é um amor diferente tudo bem, eu não amo os meus pais do mesmo modo que amo o meu marido, nem o meu irmão, ou os meus sobrinhos…Cada coisa no seu lugar. Os meus sentimentos por cada um deles é totalmente diferente do outro e incomparável, mas não me digam que não é verdadeiro e até incondicional…

 Já fui apelidada de má, cruel, fria, distante, egoísta…há um pouco de verdade em algumas destas palavras. Não creio ter maldade, apenas falta de alguma bondade ou doçura. Distante e fria? Por vezes sim. Diferente? Sem dúvida. Não serei única mas o facto de ter sido criada no seio de uma família típica, mãe doméstica com um jeito inapto para os miúdos e graúdos, exímia na cozinha e com particular apetência para a culinária, parece ter criado em mim uma aversão natural à tradicional esposa e dona de casa.