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Mãos Cheias de Nada

Retalhos dos meus dias tristes...

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Retalhos dos meus dias tristes...

16.Jun.16

Noites Longas

 

 

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Dizem que há coisas que nos chegam depois dos 40. Nas redes sociais surgem inúmeras imagens com piadas e até blogs específicos a lembrar-nos disso. Não sei se as minhas noites longas serão dos 40, ou se mais uma vez é a minha alma agitada a pregar-me partidas… A verdade é que o sono não chega e eu faço quebra-cabeças mentais, junto palavras, gestos, tento entender olhares, perceber momentos. E por entre puzzles inacabados por falta de peças, o sono não chega. E o ciclo não se fecha.

 

A verdade é que tal Margarida Rebelo Pinto, não há coincidências. Não há obra de um destino ou de um acaso. E a cada momento que tento acreditar um pouco mais surgem as tais ditas coincidências que me mostram que as minhas dúvidas têm razão de ser e torno-me irredutível na minha convicção. E volto ao início. E não há como apaziguar a tensão desta minha mente turbulenta e a desesperança em relação ao futuro não desaparece.

 

Mas terei que ser paciente…esperar que te encontres e consigas voltar…sei que não deste ouvidos às minhas palavras, quando te pedi que me procurasses mais, que me desejasses, que me trouxesses um presente, que fizesses uma surpresa, ou que pelo menos fizesses algo a pensar apenas em nós…um pequeno gesto que fosse, que me fizesse ver que vale a pena acreditar, que temos algo mais do que aquilo que está à frente dos nossos olhos…que este vazio é momentâneo e que esta penitência vai acabar, que o faz de conta em que vivemos vai dar lugar a um nós mais forte e barricado.

 

De que outra forma poderá ser? Se assim não for porque me terias sujeitado a este sofrimento? Porque terias deixado chegar tão longe o nosso fosso, se for para deixar tudo igual? Porquê? Porquê? Porquê? Se nada mudou, se está tudo tão na mesma, qual foi o intuito de tudo isto? E é nesta infinidade de perguntas que sinto que me fechaste as portas e as janelas do teu coração...E é nesta forma persistente de insegurança que as peças não encaixam…

 

E o meu maior medo continua a ser enfrentar o dia em que chegarás a mim para me dizer que tinha razão, que já não me amas da mesma forma e não podes continuar a esconder o que sentes e a sofrer em silêncio.

 

E é assim, agastada pelas minhas noites longas, que me mantenho à tona e recomeço cada um dos meus dias.